quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A CEGUEIRA DE OUVIR

Por que a explosão insiste em não fazer barulho?
Uma parte de mim quer sair e gritar,
Outra parte quer ficar e rezar.
Uma parte de mim quer dizer: Eu amo primavera!
A outra diz baixinho e tímida: Agradeça por ter cobertor nesse inverno.
Mas eu não quero o inverno, eu quero a primavera.
Linda colorida, apaixonante, florida que faz os dias terem mais brilho, mais suspiros.
E no passo seguinte a primavera me parece à loucura mais absurda de todas.
Não terei coragem de lhe arrancar as flores... Não seria justo.
Por que preciso seguir calada?
Essa explosão que turbina todas as estações dentro de mim e corre fervendo pelas minhas veias, deveria sair e ecoar em volta com vibrações e frequências sonoras como nunca se viu tão intensa.
Mas ela sussurra contida um “bum” arrependido.
Será que não dá para ver a transparência dessa discordância?
Será que é tão absurdo assim amar a primavera?
Estamos ocupados demais para isso...
Eu falei desde o início que seria assim.
Essa estação ferve o samba que move as células de mim, numa batucada de atabaques,
Mas desequilibra a razão do não pensar.
Não sei mais o que pensar!
Só esperar o próximo samba enredo...

Priscila

07/08/2013