Os cabelos brancos se
confundem com as espinhas no rosto.
O tempo passa rápido e
impiedoso deixa rastros do que já foi e do que será
Mas os olhos que viam
algo indiferente, hoje percebem a beleza e a nobreza de cada instante.
Como se às pressas, quisesse
admirar tudo a sua volta, como se não tivesse tempo suficiente para desperdiçar.
Ah os cabelos brancos,
primeiros fios que surgem, não como sinal de velhice, mas sim de traços desenhados
de uma vida já vivida.
Enquanto as espinhas remetem
ao pensamento de vitalidade e vida suficiente para enfrentar os desafios necessários.
Viver é uma grande beleza,
uma dança contínua, num balé clássico, simétrico em movimentos que, assim como numa
obra prima, desenham cada traço da nossa existência.
Quantas oportunidades
temos? Quantas delas desperdiçamos por caprichos tolos?
Cada uma delas, cada
desafio, é nobre presente que vem do alto.
Com gratidão o olhar
se alegra a contemplar os fios que surgem brancos, misturados às espinhas do
rosto.
Belo momento em que a
vitalidade de uma existência pela frente, convive com a experiência de uma experiência
já construída.
É possível ouvir
as envenenadas guitarras da vida, tocando seus harmoniosos boleros!
(Priscila Maluzza
Pissinato – 08/10/2015)

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