segunda-feira, 31 de agosto de 2009

MAGNETISMO

A lua a velava do lado de fora à distância tentando descobrir quais eram seus pensamentos. Sem notar que estava sendo vigiada seguia acreditando que prestava atenção na TV, mas seus pensamentos viajavam mais distantes do que aquela lua que ali a iluminava com seu brilho.

Uma sensação de não estar só a acometeu, certa disso percebeu que era observada, algo invadia a intimidade do lar e também dos pensamentos.


Viu então um ponto de luz que do lado de fora da sua janela, vinha em sua direção. Aquela lua, ali tão mágica viria compartilhar seu momento de reflexão, talvez porque também refletia, talvez porque naquela imensidão da noite, sentia que precisava de companhia.


Sem se dar conta do tempo e espaço ficou por muito, contemplando aquela imagem, assim como era contemplada com o brilho daquele astro. Sentiu seu peito aquecer de uma alegria que não poderia explicar, bastava somente sentir. Teve certeza que estava tomada pelo magnetismo daquele momento, era capaz de ver o mundo com outros olhos, talvez os olhos da lua, inexplicável.


Sua manhã seguinte brilhava com mais intensidade, pessoas mais gentis cruzava seu caminho ofertando-lhe um sorriso e desejando-lhe um bom dia, percebia que o egoísmo no trânsito, naquele momento dava espaço à boa educação. Observou tudo sorrindo, o que será que acontecera? Não saberia dizer, mas tudo lhe parecia melhor.


Poderia ser a neblina daquela manhã, que invadia as imagens à frente, deixando tudo parecendo um sonho, parecendo que as paisagens eram pintadas com cores e efeitos que faziam dela um espetáculo ao observador. Sabia que seu dia era especial.


Seguiu o mesmo caminho que fazia ao trabalho e quando passava por uma das ruas que normalmente agradava-lhe mais, pois era bastante arborizada, quando se deparou com uma imagem magnífica: havia uma das árvores, a mais bela e florida de todas, com sua copa repleta de flores amarelas, derramando sobre o chão suas pétalas formando um tapete lindo pelo caminho que seguiria.


Mas ainda sem interromper, a árvore a recepcionava com uma chuva daquelas pétalas, como se pudesse desejar um bom dia diferente. Enquanto aguardava o semáforo abrir a sua frente, pode deslumbrar-se com aquela imagem, a árvore, a chuva de pétalas, banhada pela neblina daquela manhã que deixava a visão ainda mais irresistível. Perdeu-se por alguns instantes.


Ouviu, de repente, que alguém chamava seu nome, perguntando se estava tudo bem, pois sentada em sua mesa para trabalhar, estava com o olhar fixo num ponto e os pensamentos distantes, sem se dar conta perdeu-se no tempo, perdeu-se no espaço, tomada pelo deslumbre de todos aqueles acontecimentos que lhe passavam diante dos olhos.


Por alguns instantes ficou tentando compreender o que acontecera, estava em seu trabalho, mas há alguns instantes numa cena que lhe parecia sonho.


Será que era sonho? Será que dormira, ou sonhou acordada, porém era tudo tão real, sentia que era real, podia perceber o calor daquela manhã, saborear o aroma no ar que contagiava seu humor. Pensou por alguns instantes.


Entendeu então que sonho e realidade são duas verdades que por uma magia inexplicável, podem confundir-se, capazes de ultrapassar as fronteiras de dois mundos, sem nem mesmo tentar se justificar.


Olhou à sua volta, viu todos os seus colegas de trabalho, ali sorrindo, dispostos, brincando, então tudo lhe fez sentido: Teve certeza nesse momento que seu dia seria diferente, ficaria guardado em sua memória, pois vivera um mundo num instante.
Priscila

30/08/2009

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